Arquivo do dia: 06/12/2013

UMA HISTÓRIA NA ÉPOCA DE OURO DO GRANDE SANTOS

O texto que segue abaixo reproduzido no Blog DNA Santástico foi extraído de coluna originalmente publicada no site Ribeirão Preto Online pelo jornalista e ex-narrador esportivo Sr. Flávio Araújo, amigo que tive a honra de conhecer pessoalmente lá em Águas de Santa Bárbara, cidade na qual ele e meus pais residem.

Flavio Araujo - Blog DNA Santastico

Sr. Flávio Araújo

O texto trata-se de uma passagem romântica e ao mesmo tempo insólita contada ao Sr. Flávio Araújo pelo seu grande amigo Sr. Lázaro Piunti, lá da cidade de Itu.

Para que mais pessoas tivessem o direito de saber do fato que não poderia ficar restrito a ambos, o Sr. Flávio pediu ao amigo que fizesse um resumo.

É o relato do homem de Itu que se segue literalmente.

UMA HISTÓRIA NA ÉPOCA DE OURO DO GRANDE SANTOS

“No período de setembro de 1998/dezembro/99 ocupei a vice-presidência da CDHU e na Diretoria conheci o lendário doutor Clayton Bitencourt Espinhel, alto dirigente santista na fase áurea de Pelé.

Guardo comigo diversas histórias contadas por ele.

Dentre elas destaco este episódio.

O time de Vila Belmiro acertou um jogo amistoso nos Estados Unidos (New York) enfrentando o poderoso Benfica de Portugal.

Por diplomacia a diretoria santista convidou João Mendonça Falcão – presidente da Federação Paulista de Futebol (1955/1970) – para chefiar a delegação praiana.

No dia do jogo (21.08.1966) quando a comitiva almoçava no hotel, doutor Clayton, vice-presidente de futebol do Santos foi chamado ao telefone.

Na outra ponta da linha estava o ex-Presidente do Brasil, Juscelino Kubistchek de Oliveira.

Juscelino Kubistchek

Juscelino Kubistchek

Com simplicidade Juscelino informou estar hospedado em um hotel nova-iorquino com as filhas Márcia e Maria Estela e uma sobrinha.

Disse que as meninas gostariam de ir ver Pelé jogar e se ainda havia possibilidade de adquirir os ingressos.

Doutor Clayton prometeu os bilhetes e se prontificou ir ao hotel entregá-los pessoalmente.

Ao dar a notícia para o pessoal que já saboreava a sobremesa, Mendonça Falcão demonstrou irritação.

Disse ser um absurdo o contato com o ex-presidente, que tivera seus direitos políticos cassados.

E mais: recusou seu lugar no ônibus na hora de ir ao estádio, preferindo alugar uma limusine.

Na verdade, o cartola queria evitar um encontro com o homem cassado pelos militares que dominavam o País.

Falcão apoiava o regime.

Doutor Clayton me contou que, no trajeto até o hotel de Juscelino chamou o trio pensante da equipe – Gilmar, Zito e Pelé – para uma conversa.

Indagou o que achavam de convidar o ex-presidente do Brasil e as moças para ocuparem um lugar no ônibus, do hotel ao estádio.

Sob a liderança de Zito e com a concordância de Gilmar e Pelé a ideia foi imediatamente aceita.

Na porta do hotel avistaram Juscelino e enquanto doutor Clayton foi cumprimentá-lo, Zito avisou os atletas para suspenderem a algazarra no interior da condução.

Iriam ter a honra de acolher o importante homem público que presidira até recentemente o país, acompanhado das três belas moças.

Para resumir: momentos após o início do jogo a imprensa nova-iorquina descobriu a presença de Juscelino e os microfones do famoso “Randalls Island Stadium of New York” anunciaram o fato.

Imediatamente os 25.670 expectadores se puseram em pé e o aplaudiram delirantemente.

Juscelino, conhecido pela sua formação democrática e espírito empreendedor, era figura extremamente respeitada nos Estados Unidos.

Na manhã seguinte os principais jornais nova-iorquinos davam maior destaque ao grande brasileiro que ao próprio jogo vencido pelo Santos por 4 a 0.

O craque do Benfica Eusébio e o Rei Pelé

O craque do Benfica Eusébio e o Rei Pelé

Mendonça Falcão, um político menor (deputado estadual na época) lamentou profundamente ter sido ignorado.

Graças ao meu amigo Sérgio Roberto Mazurchi, cujo arquivo de futebol é fantástico, é possível apresentar a ficha técnica da partida que Juscelino assistiu.

Santos F. C.: Gilmar; Carlos Alberto, Oberdan, Orlando e Lima. Zito e Mengálvio. Dorval (Amauri), Toninho Guerreiro, Pelé (Salomão) e Edu. Técnico: Luis Alonso (Lula).

S.C. Lisboa e Benfica: Costa Pereira; Caven, Raul, Jacinto e Cruz. Jaime Graça e José Augusto (Iaúca). Torres (Nelson), Eusébio e Simões. Técnico: Fernando Riera.

Resultado final: Santos 4 Benfica 0.

Marcadores: Toninho, Edu (2) e Pelé. Público: 25.670. Local: “Randalls Island Stadium New York” em 21 de agosto de 1966.”

 Lázaro José Piunti

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Está ai, pois, o relato literal do que escreveu Lázaro José Piunti lá de Itu e que o mundo vai conhecer depois desta edição neste site pela penetração veloz e constante da Internet.

Acima de tudo serve para atestar não somente o registro de um momento histórico na época dourada do nosso futebol, mas acima disso a simbologia gravada em letras que o tempo não apagará de um atestado do quanto o futebol pode se constituir em entendimento universal unindo os homens de boa-vontade em quaisquer circunstâncias.

Flávio Araújo

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Saiba mais sobre Flávio Araújo

Flávio Araújo, nasceu na cidade paulista de Presidente Prudente, lá iniciou sua carreira no rádio em 1950.

Depois militou no rádio esportivo e na imprensa esportiva da cidade de São Paulo cerca de 30 anos.

Trabalhou de 1957 até 1982 na Rádio Bandeirantes, onde se consagrou um maravilhoso narrador esportivo.

Flávio Araújo em 1960 narrando pela Rádio Bandeirantes, em Cáli, na Colômbia.

Encerrou suas atividades na cidade de São Paulo em 1986 na Fundação Cásper Líbero como Superintendente de Esportes da Rádio e TV Gazeta, nos tempos do saudoso Constantino Cury no comando do tradicional grupo de comunicação da Avenida Paulista.

Posteriormente trabalhou por mais 10 anos como comentarista esportivo na Rádio Central de Campinas-SP (de propriedade do ex-governador de São Paulo Orestes Quércia).

Flávio Araújo também foi co-proprietário da Rádio Cultura-AM de Poços de Caldas-MG.

A narração do milésimo gol do Rei Pelé escolhida pelos produtores do filme Pelé Eterno para integrar a obra é de Flávio Araújo.  Aliás, segundo Milton Neves, Flávio Araújo foi o locutor que mais narrou jogos do glorioso Santos Futebol Clube e gols do Rei Pelé.

Flávio Araújo e Milton Neves em 2001.

Ao longo de sua brilhante carreira transmitiu tudo sobre futebol, boxe, basquete e automobilismo.

Atualmente Flávio Araújo reside numa bela e tranquila cidade do interior paulista, onde ainda milita com histórias do futebol escrevendo colunas para sites e jornais.

Vale a pena conferir abaixo entrevista concedida, em 2009, por Flávio Araújo para André York do Programa Arremate Final. Contém áudios espetaculares de narrações de Flávio Araújo.

Parte 01:

Parte 02:

Bom, é isso aí! O Blog DNA Santástico, na figura de seu mantenedor Edmar Junior, agradece ao Sr. Flávio Araújo pela autorização para publicação de vossos textos no blog e parabeniza-lhe pelos excelentes serviços prestados ao esporte ao longo de toda sua trajetória.

Por ora, é só! Deixe seu comentário (você pode inclusive usar seu perfil do Facebook para isto) e até o próximo post!

Edmar Junior - Blog DNA Santastico

Edmar Junior

Torcedor do Santos FC por hereditariedade.
– Sócio do Santos FC desde 08/2006.
Diretor Social na Associação Movimento Resgate Santista.
– Membro da Confraria do Futebol Paulista/Por um Futebol Melhor
– Membro do Memofut (Grupo Literatura e Memória do Futebol)
Colecionador de livros sobre o Santos FC e seus ídolos.
Campeão do Quiz do Torcedor no Navio do Centenário.
Mantenedor do Blog DNA Santástico.
Mantenedor do Blog Miscelânea Santista.

 

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“Rei de muitas cores”, um samba em homenagem ao Rei do Futebol.

A mistura Samba & Futebol combina tanto quanto Pelé combinava com bola. Sensíveis a isso, dois araçatubenses, um são-paulino e um corinthiano, gravaram em 1979 um samba em homenagem ao Rei do Futebol. “Rei de Muitas Cores” tem letra e música do compositor José Alves e interpretação de Mário Eugênio.

Jose Alves - Blog DNA Santastico

José Alves

A letra retrata o saudosismo em que cairiam os fãs que jamais tornariam a ver jogadas tão belas às que Pelé proporcionou aos amantes do futebol sua carreira vestindo as camisas do Santos F.C. e da Seleção Brasileira. José Alves também fala da emoção que tomou conta dos torcedores na despedida de Pelé.

O Rei fez algumas despedidas do futebol. Mas a despedida a que o compositor se refere é a que ele fez com a camisa do Santos no dia 2 de outubro de 1974, contra a Ponte Preta, jogo vencido pelo time da Vila Belmiro por 2 a 0.

Rei Pele - Despedida SFC - Blog DNA Santastico (6)

Assim que o juiz deu o apito final, Pelé se ajoelhou no centro do gramado, posteriormente chorou com a camisa dos Santos nas mãos. “Na hora da despedida, quase morri de emoção ao ver o Rei chorando com a camisa na mão”, diz um trecho do samba.

Rei Pele - Despedida SFC - Blog DNA Santastico (5)

Rei Pele - Despedida SFC - Blog DNA Santastico (1)

José Alves da Silva, 78 anos, diz que admirou Pelé desde o início da carreira, apesar de ser são-paulino (e é disso que a letra da música fala: Pelé era ídolo de todos). Conhecido como carnavalesco, José Alves diz ter umas 20 composições, mas “Rei de Muitas Cores” é a mais popular. Abalado por doença que enfraqueceu sua memória, o são-paulino não se recorda de jogos marcantes de Pelé contra o seu time.

Mario Eugênio

Mário Eugênio

Ao contrário do compositor, o corinthiano Mário Eugênio, que interpreta a música, se lembra muito bem de Pelé jogando contra seu time. “Gostava de ver o Pelé jogar, menos contra o Corinthians”, diz em tom de divertimento. O cantor considera muito bonita a letra da música. “Se fosse gravada por um medalhão da música popular, poderia ter estourado nas paradas de sucesso”, afirma.

José Alves procurou grandes nomes da MPB para gravar seu samba, mas não obteve sucesso. Mesmo com a memória fraca, ele se recorda de ter procurado Pelé várias vezes para mostrar seu trabalho, mas nunca teve a oportunidade de ficar frente a frente com o Rei.

A homenagem a Pelé está no disco (LP) intitulado “Coração Apaixonado”, pela gravadora alternativa Akison, de 1979. Além de “Rei de Muitas Cores”, José Alves assina outras três faixas (Tá na Hora, Roda de Samba e Mora na Geografia). O disco foi patrocinado pelo empresário araçatubense Mário Carlos de Oliveira, já falecido. Ouça a música:

Rei Pele - Despedida SFC - Blog DNA Santastico (7)

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Edmar Junior - Blog DNA Santastico

Edmar Junior

Torcedor do Santos FC por hereditariedade.
– Sócio do Santos FC desde 08/2006.
Ex-Diretor Social da Associação Movimento Resgate Santista
– Membro da ASSOPHIS (Assoc. dos Pesq. e Historiadores do SFC)
Membro da Confraria do Futebol Paulista/Por um Futebol Melhor
– Membro do Memofut (Grupo Literatura e Memória do Futebol)
Colecionador de livros sobre o Santos FC e seus ídolos.
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