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O Milésimo Gol

No dia 19 de novembro de 1969, uma quarta feira, Pelé escrevia mais um capítulo na história do futebol, ao marcar de pênalti, o milésimo gol da sua gloriosa carreira, na vitória do Santos contra o Vasco por 2 a 1, no estádio do Maracanã.

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O ano de 1969 deixou um grande legado para a humanidade. O homem pisou na lua pela primeira vez, o maior festival de rock and roll de todos os tempos, o Woodstock, aconteceu nos Estados Unidos e os Beatles deixavam o palco e gravavam seu último álbum. Mas no desporto nada superou o feito de Pelé.

A expectativa pela marca inédita era acompanhada em todo o mundo. A contagem atingiu a marca de 999 gols, dias antes, no jogo contra o Botafogo da Paraíba. Pelé marcou um gol na vitória por 3 a 0. A partida amistosa no acanhado estádio José Américo de Almeida, em João Pessoa, não era o cenário ideal para o tão sonhado espetáculo. Quando o goleiro Jair Esteves sofreu uma contusão, o Rei não pensou duas vezes e trocou a chance do milésimo gol para defender outra meta, o arco santista.

No dia 16 de novembro, o Santos voltou a atuar fora de casa. No jogo contra o Bahia, em Salvador, válido pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Campeonato Brasileiro), o Peixe ficou no empate por 1 a 1. Pelé bem que tentou, mas não conseguiu. Na metade do segundo tempo, após tabelar com Manoel Maria, driblou o goleiro Jurandir e chutou para o gol vazio, mas o zagueiro Nildo se atirou e salvou o gol certo. O Bahia reagiu e abriu o marcador aos 39 minutos. Aos 43, uma bola na trave de Pelé só não sufocou o grito do torcedor porque Jair Bala aproveitou o rebote e empatou para o Santos.

A expectativa pelo milésimo gol passou para o jogo contra o Vasco no Maracanã. As duas equipes já estavam desclassificadas do torneio nacional, mas isso não desanimou o público. Nem mesmo as chuvas intensas que caíram no dia anterior tirou a previsão de um grande número de espectadores, atraídos pelo feito histórico.

Naquela noite de sonho, 19 de novembro, o Maracanã levou 65 157 pessoas para o estádio. As homenagens estavam preparadas; as emissoras de TV anunciaram a transmissão da partida e um plano de policiamento foi estabelecido para evitar a invasão de campo no momento do gol de Pelé.

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O Santos entrou em campo todo de branco, com camisas de mangas curtas, e foi escalado pelo técnico Antoninho com Agnaldo, Carlos Alberto Torres, Ramos Delgado, Djalma Dias (depois Joel Camargo) e Rildo; Clodoaldo e Lima; Manoel Maria, Edu, Pelé (Jair Bala) e Abel. O Vasco, do técnico Célio de Souza, jogou com Andrada, Fidélis, Moacir, Renê, Eberval, Fernando, Buglê, Benetti, Acelino (Raimundinho), Adilson e Danilo Menezes (Silvinho).

O árbitro Manoel Amaro de Lima autorizou o início da partida. A bola começou a rolar e o clima tenso pairava no ar. O Santos era melhor, mas foi o Vasco que abriu o marcador, com Benetti, aos 16 minutos do primeiro tempo.

A pressão santista aumentou na segunda etapa e o gol de empate veio aos 10 minutos. Edu cruzou, Andrada não cortou e Renê acabou cabeceando contra sua própria meta. Edu chegou a ter uma chance clara para bater a gol, mas esperou pela chegada de Pelé. Ao empurrar-lhe a bola, um zagueiro vascaíno apareceu, apavorado, e aliviou o perigo.

Aos 33 minutos deixaram Clodoaldo livre. Ele avançou pelo meio da intermediária vascaína e enfiou uma bola rasteira para Pelé. Este dominou na corrida e se preparava para chutar quando foi abalroado por dois zagueiros adversários e caiu sobre a marca de pênalti. Manoel Amaro foi caminhando até onde estava Pelé e abaixou o corpo para apontar a marca.

Desesperado, o goleiro Andrada jogou a bola com força para o chão, depois tentou argumentar com o árbitro e, por fim, conversou com Pelé. Um outro jogador vascaíno cavava a marca de pênalti com o pé. Os jogadores do Santos foram todos para a risca do meio de campo. O público passou a gritar o nome de Pelé insistentemente.

De frente para o gol, Pelé se abaixou para arrumar as meias. Depois se virou para o campo, viu que seus companheiros estavam perfilados no círculo central e sorriu. Aos poucos todos saíram da área e ficaram só ele, a bola e Andrada.

Um silêncio pesado se fez em todo o estádio. Pelé deu três passos lentos. Apressou a marcha ameaçando uma corrida, deu uma ligeira paradinha e, num tiro seco, bateu com o pé direito no canto esquerdo do goleiro.

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Andrada voou com vontade, conseguiu raspar na bola, mas não evitou o gol. A bola branca atravessou a linha de gol aos 34 minutos e 12 segundos. Desacreditado, o vascaíno passou a esmurrar o chão.

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O Momento Histórico!

Pelé não deu o soco no ar. Trocou a tradicional marca pela corrida até o fundo das redes. Foi em busca da bola do jogo.

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Pelé apanha a bola no fundo das redes e a beija após marcar seu milésimo gol. Estádio do Maracanã. Rio de Janeiro, 19/11/1969. Foto: AE

Os jornalistas saíram de trás do gol e imediatamente colocaram Pelé sobre os ombros. O estádio gritava o nome do Rei.

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Carregado nos ombros, Pelé beija a bola de seu milésimo gol, marcado de pênalti contra o Vasco da Gama, no estádio do Maracanã. Um gol que Pelé dedicou a todas as crianças do Brasil. Rio de Janeiro, 19/11/1969. Foto: AE

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Os dirigentes do Vasco pediram a Pelé para vestir a camisa do time carioca, que ele já tinha vestido em alguns jogos por um combinado Santos-Vasco, em 1957. Na camisa havia o número 1000. Pelé deu a volta olímpica com ela, seguido por uma pequena multidão. Ao ser ouvido, pediu que o governo olhasse pelas crianças pobres do Brasil. Pelé deixou seu recado para o mundo.

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Vídeo:

Fim do jogo, início das homenagens.

Depois da marcação do milésimo, Pelé recebeu muitas homenagens, a começar por um diploma da FIFA assinado por seu presidente, sir Stanley Rous, enaltecendo o seu feito. O vestiário ocupado pelo Santos no jogo recebeu uma placa com o seu nome. João Havelange entregou-lhe uma medalha de ouro em nome da CBD. Outra medalha de ouro foi dada pela Federação Carioca. A Companhia Brasileira de Telégrafos ofertou-lhe o painel do selo comemorativo e a Escola de Samba da Mangueira, por intermédio de seu passista Bira, deu-lhe um tamborim de prata.

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Texto: Gabriel Pierin

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Edmar Junior

Torcedor do Santos FC por hereditariedade.
– Sócio do Santos FC desde 08/2006.
– Ex-Diretor Social da Associação Movimento Resgate Santista
– Membro da ASSOPHIS (Assoc. dos Pesq. e Historiadores do SFC)
– Membro da Confraria do Futebol Paulista/Por um Futebol Melhor
– Membro do Memofut (Grupo Literatura e Memória do Futebol)
Colecionador de livros sobre o Santos FC e seus ídolos.
Campeão do Quiz do Torcedor no Navio do Centenário.
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Vira, Vira, Vira

No dia 04/11/1973 em um jogo eletrizante entre os campeões Paulista do ano, o Peixe virou para cima da Lusa em jornada espetacular de Pelé!

Rei Pelé - Blog DNA Santástico - Santos FC

Com uma assistência e dois golaços, sendo um de seus gols mais famosos de todos os tempos.

Uma incrível espetacular matada no peito e um sem pulo antes da bola tocar no chão.

Santos 3 x 2 Portuguesa
Pacaembu – São Paulo-SP
Campeonato Brasileiro
Árbitro: José Assis de Aragão
Renda: Cr$ 317.304,00
Público: 40.248
Expulsão: Tatá 70′

Gols: Tatá 33′, Enéas 45′ para Portuguesa – Mazinho 49′ e Pelé 50′ e 63′

Santos x Portuguesa - Blog DNA Santástico

SANTOS: Cejas; Hermes, Vicente, Carlos Alberto e Roberto; Clodoaldo, Leo; Mazinho, Claudio Adão, (Eusebio) Pelé e Edu.
Técnico: Pepe

PORTUGUESA: Zecão; Cardoso, Pescuma, Raimundo e Isidoro Feitosa; Basilio, Tatá, Dicá(Helinho) Eneas, Cabinho e Wilsinho
Técnico: Oto Glória

Fonte: Associação dos Pesquisadores e Historiadores do Santos F.C.

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O Goleiro Pelé

Além das muitas habilidades que o Rei Pelé demonstrou dentro das quatro linhas jogando no ataque, podemos destacar também as atuações dele como goleiro.

Pele Goleiro - Blog DNA Santastico (2)

O Rei jogou quatro partidas oficiais na meta, sempre substituindo o goleiro titular por conta de lesão ou expulsão. Na época, não era permitido realizar substituições.

A primeira vez que foi para o gol, foi no dia 04/11/1959, em jogo pelo Campeonato Paulista disputado na Vila Belmiro entre Santos FC e o extinto Comercial da Capital, não o de Ribeirão Preto!

Goleiro Pelé - Blog DNA Santástico - Santos FC

Aos 19 minutos do segundo tempo, Pelé substituiu o goleiro Lalá. A partida estava 3 a 2 para o Santos, e o time da capital aumentou o ímpeto em busca do gol do empate. O Rei do Futebol chegou a praticar cinco defesas difíceis, e ainda viu o Peixe ampliar o marcador, vencendo por 4 a 2. Os gols foram marcados por Pelé 18′, Coutinho 33′, Feijó (de pênalti aos 59′) e Dorval (85′).

O Peixe formou com Lalá (Pelé); Feijó, Getúlio, Mourão, Formiga e Zito; Sormani (Dorval), Jair Rosa Pinto, Coutinho, Pelé e Dorval.

Entre os destaques do time do Santos no prélio: Getúlio, Formiga, Zito, Joel, Dorval e Pelé, tanto como avante quanto como arqueiro.

Lalá

O jovem goleiro Carlos Pierin, o Lalá, desmaiou ao se chocar com o ponteiro Osvaldo do Comercial e foi diagnosticado na Santa Casa de Misericórdia com uma concussão cerebral de grau leve.

Pelé Goleiro

Como não havia substituição, até para os casos de contusões, Pelé sempre treinava para essa ocasião.

O avante que ficou mundialmente conhecido como o maior terror dos goleiros chegou a atuar outras três vezes na meta santista.

Em todas essas partidas oficiais, o Rei não deixou o time santista sofrer gols.

Pele Goleiro - Blog DNA Santastico (5)

19/01/64 – Taça Brasil 1963
Pelé substituiu Gylmar, que foi expulso, em um Santos FC 4 x 3 Grêmio, no Pacaembu, pela Taça Brasil.

Pele Goleiro - Blog DNA Santastico (8)

14/11/69 – Amistoso – Santos FC 3 x 0 Botafogo (PB)
Quando Pelé anotou o 999º gol de sua carreira, substituiu Jair Pessoa, o Jairzão. Indo para o gol, o Rei deixou de bater o pênalti que, se marcado, seria o gol 1.000 de sua carreira.

19/06/73 – Amistoso – Santos FC 4 x 0 Baltimore Bays (EUA)
Depois de marcar o seu único gol olímpico na carreira, Pelé substituiu Cláudio.

“Novidades”

No lançamento do Almanaque do Santos FC, Guilherme Nascimento trouxe mais uma novidade de Pelé como goleiro. No dia 10 de janeiro de 1966, o Santos enfrentou a Seleção da Costa do Marfim e venceu por 4 a 2, com Pelé goleiro desde o começo do prélio. Depois Pelé foi jogar pela equipe da Costa do Marfim anotando um gol contra o Santos!

Como não era permitido fazer jogos com menos de 48 horas de intervalo, essa partida não entra na relação oficial do Santos FC. O Peixe havia enfrentado o time local, o Stad Club Abidjan, e vencido por 7 a 1 no dia 09/01.

Fonte: Associação dos Pesquisadores e Historiadores do Santos F.C.

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